E agora, José?

17 de Julho de 2017

E agora, José?

Confira a nova coluna de Álvaro Modernell sobre Capitalização

Não são raros os casos de crises que desrespeitam os limites da porta e, sem serem convidadas, invadem as vidas das pessoas. De repente, o desemprego, uma doença, atraso no salário, um acidente, uma fraude, uma ação judicial, o estouro do balão das dívidas. Além de todos os males que causam, ainda tem o aspecto financeiro. É difícil lidar com qualquer problema grave, ainda mais quando acompanhado de crise financeira, quando não há mais grana nem para fazer de conta, ou para empurrar as contas com a barriga, mais uma vez.

Ouve-se muitos casos. Às vezes se vê alguns. Mas a maioria parece que só acredita quando bate à sua porta. Alguns dos problemas não há como evitar. Fazem parte da vida. Outros poderiam ter sido evitados com prudência, planejamento, outro estilo de vida. O certo é que a vovó estava certa: “– Prudência e caldo de galinha não fazem mal a ninguém.”

No cenário das finanças pessoais, temos que bater nas mesmas teclas: não gastar mais do que ganha, evitar desperdícios, ficar longe das dívidas, pesquisar, pechinchar, reaproveitar, conservar, não fazer compras por impulsos, diversificar as rendas, economizar e... POUPAR!

Não há remédio melhor do que a prevenção, nem seguro melhor do que evitar riscos. Poupar é diferente de economizar. Economizar é só reduzir os gastos, gastar menos. Poupar é juntar, guardar, criar reservas. É com elas que podemos contar. Nós e o José.

Ao invés de discutir o sexo dos anjos, crie suas próprias reservas financeiras, seja onde for, do pote de vidro à carteira de ações. Mais uma vez: cuidado! O dinheiro do pote de vidro não rende. Por outro lado, não virá pó, nem perde valor de uma hora para outra, como pode acontecer com ações. Fuja dos extremos!

E títulos de capitalização? Também servem para esse propósito? Vamos na mesma linha. Para milhões de brasileiros é, na prática, uma alternativa que resulta efetivamente em uma reserva financeira. Mas, neste caso, a liquidez não é imediata, há prazo de carência, em geral de 12 meses e só é possível resgatar 100% do valor ao fim do prazo de vigência do título. É uma alternativa para quem não tem o hábito de juntar dinheiro e conta com o atrativo dos sorteios para ajudar nessa empreitada.

Reservas de valor para emergências são para ajudar nas horas de aperto, para diminuir os efeitos colaterais desses problemas do dia a dia. Não precisa muito, mas pouco demais tampouco resolve. De três a seis vezes o valor dos gastos médios mensais é razoável. Liquidez, ter o dinheiro à disposição, é fundamental. Segurança também. Poupança, fundos conservadores e alguns títulos do Tesouro Direto podem cumprir esse papel de guardiões dessas reservas.

Se a festa acabar, se a luz apagar, se o povo sumir, se a noite esfriar, pense: que enorme diferença faria, ter ou não ter reservas financeiras para enfrentar cada uma dessas situações.

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