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O financiamento da longevidade torna-se um desafio para os brasileiros

Tema foi debatido durante painel na 9ª CONSEGURO, que acontece em Brasília

05 de Setembro de 2019 - CNseg

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Da esquerda para a direita: o presidente da FenaCap, Marcelo Farinha; o economista e jornalista George Vidor; o secretário de Políticas de Previdência Social, Leonardo Rolim;o presidente da FenaPrevi, Jorge Nasser;o professor titular do Insper, Naercio Menezes Filho

A mitigação dos riscos do próprio envelhecimento, potencializados pelo fenômeno da longevidade e pelos benefícios menos generosos em consequência da reforma da Previdência, ainda não está verdadeiramente no radar de parcela dos brasileiros. Mas o fato é que o ato de poupar terá de fazer parte da rotina de todos, considerando-se o papel secundário que vai assumindo um Estado provedor cada vez mais desfigurado por dívidas e sem capacidade de proteger e amparar. A educação -  a formal primeiro; a financeira, depois - será um gatilho para preparar as diversas gerações na construção de um futuro mais seguro.

Esse foi o tema recorrente tratado no painel “Educação- como preparar a sociedade em cenário de longevidade e de reforma da Previdência Social”, na 9ª CONSEGURO, que acontece em Brasília, pelo secretário de  Políticas de Previdência Social do Ministério da Economia, Leonardo Rolim; pelo professor Naercio Menezes Filho, do Insper, tendo como debatedores Jorge Nasser, presidente da FenaPrevi, e Marcelo Farinha, presidente da FenaCap, com mediação a cargo do jornalista e economista George Vidor. Na abertura, o moderador destacou que os planos de previdência terão participação mais ativa após a reforma da Previdência Social.

A própria reforma, considerada necessária, vai exigir que os trabalhadores mais maduros permaneçam no mercado de trabalho por mais tempo para cumprir exigências como idade mínima e obter maiores benefícios. Esse adiamento voluntário provocará maiores dificuldades de ingresso no mercado de trabalho para os jovens profissionais, reconhece o professor Naercio Menezes Filho, e problemas na hora da aposentadoria. Aliás, o risco de que parcelas da população não cumpram as métricas de concessão da aposentadoria já é uma realidade antes mesmo das novas regras entrarem em vigor.

O especialista detalhou como a evolução da expectativa de vida, as falhas da educação no Brasil, principalmente na questão de avanço da produtividade, empurram cada vez mais jovens para o mercado informal, reduzindo uma fonte de receita importante para a Previdência Social.  O desafio de custear as despesas na velhice cobra um salto na produtividade brasileira, que parece estar ameaçada pela qualidade do ensino. “Mesmo com gastos que triplicaram por cada aluno do ensino fundamental entre 2000 e 2014, não houve efeito na produtividade, estagnada há três décadas”, lembrou ele.

 O secretário Leonardo Rolim disse que a educação é estratégica para garantir melhorias reais do País, um mercado de trabalho mais saudável e um sistema de previdência social mais equilibrado. A reforma da Previdência tornou-se prioritária porque o país caminha para estar entre as dez nações mais envelhecidas até o fim do século e as despesas de hoje já equivalem a de países maduros. “O Brasil convive com rápida transição demográfica. Antes, era um dos países mais jovens do mundo e agora mudou sua trajetória e estará entre os 10 países mais envelhecidos. E, ao contrário da Europa, nós não estamos enriquecendo antes de envelhecer. Então, teremos de ficar ricos após envelhecer, o que é desafio mais complexo”, relatou ele.

O presidente da FenaPrevi, Jorge Nasser, apontou os planos de previdência privada entre as soluções para atenuar os riscos de um envelhecimento sem qualidade de vida. Mas fantasias de parte da população terão de ser destruídas, já que ainda há pessoas que acreditam que o Estado vai operar um milagre e pagar 20 salários quando se aposentarem no regime geral. O presidente da FecaCap, Marcelo Farinha, afirmou que os trabalhadores não poderão poupar todos os excedentes para a aposentadoria, mas poderão comprar títulos de capitalização, de acordo com seus objetivos. 

>> Confira a apresentação do professor titular do Insper, Naercio Menezes Filho

 

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